As reticências não são silêncio: são sussurro.
Não são ponto final: são pulso.
Não encerram, abrem.
Elas são a pausa de quem ainda respira entre palavras.
São o espaço onde mora o indizível, o que não se pode nomear, mas se sente.
Reticências são a delicadeza de quem oferece ao outro o direito de completar o sentido.
Na vida, somos feitos de reticências.
Cada decisão adiada.
Cada olhar que cala, mas espera ser lido.
Cada sonho que não se ousou dizer em voz alta, ainda.
Porque viver é isso:
uma constante travessia entre o que já foi e o que ainda se pode ser.
A reticência é irmã do “talvez”, prima do “ainda não”, parceira do “quem sabe?”.
Ela não exige respostas, mas convida à escuta.
Não aponta o caminho, mas acende uma lanterna na curva da estrada.
Há mais a dizer… sempre há.
O amor não cabe numa frase.
O luto não termina com ponto final.
A esperança… essa só se escreve com reticências.
Nem sempre o que se cala está terminado.
Às vezes, o silêncio é apenas uma vírgula sustentada,
uma abertura para o que ainda não teve coragem de nascer.
Quando surgem reticências, não é falta. É convite.
Convite para imaginar, continuar, intuir…
O que vem depois é mistério, e é também escolha.
A vida, essa velha contadora de histórias, também escreve assim.
Nunca nos entrega tudo de uma vez.
Vai deixando migalhas de sentidos, pausas, perguntas, reticências,
esperando que a gente complete com alma.
E, às vezes, o mais bonito que podemos fazer diante do que não compreendemos,
é simplesmente suspirar… e seguir.
Porque no fundo, tudo o que importa continua…
E até essa prosa, que falou das reticências nos textos e na vida, concluiu ou quem sabe apenas começou a dizer que…




