Entre ser fraco, curioso ou louco… 


Não tenho talento raro, nem dons que brilham à primeira vista. Carrego, isso sim, um fogo inquieto no peito, essa maldição sagrada chamada curiosidade. E me filio, com humildade e fervor, àquela máxima de Einstein: “Não tenho nenhum talento especial. Apenas sou apaixonadamente curioso.”


Curioso… como quem tateia as frestas do mundo com os olhos de quem ainda não aprendeu a aceitar o óbvio.
Curioso como quem sangra perguntas enquanto o mundo exige respostas apressadas.


A vida, essa entidade severa, pesa como ferro sobre os ombros dos fracos. Aos frágeis, ela não perdoa.
Mas aos curiosos, oferece enigmas, portas entreabertas, silêncios que sussurram mistérios.
Aos loucos, ela oferece abismos. E confesso: eu saltei.


Sim, fui fraco quando temi, fui louco quando acreditei cegamente em ideias improváveis, e fui curioso sempre que algo parecia inalcançável.
Ora me rastejei, ora me lancei.
Como disse Nietzsche, “é preciso ter caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante”.
E eu abracei meus próprios caos como quem acolhe um velho amigo que nunca deixa de retornar.


Viver é caminhar com cicatrizes abertas, é não poder voltar atrás, e ainda assim seguir.
É admitir que a estrada não se dobra ao nosso desejo, mas ao nosso ímpeto de continuar.


Eu me fiz da matéria dos que tentam.
E nessa alternância entre fraqueza, curiosidade e loucura, reinvento a mim mesmo.
Porque a vida, ah, a vida não é para ser vencida.
É para ser sentida, estranhada, desafiada… e, quem sabe, compreendida.

Se não puder ser forte, que eu seja curioso.
Se não puder entender, que eu ao menos questione.
E se um dia não couber mais em mim, que eu seja louco o bastante para transbordar.